terça-feira, 11 de setembro de 2007

Cartas das Trincheiras na 1º Guerra Mundial






Queridos pais:
A guerra é horrível, as trincheiras estão lamacentas e cheias de ratos. A comida é muito pouca e a que há é muito desidratada e mal chega para todos.
Têm morrido muitos amigos meus por causa da incompetência dos capitães, que nos mandam depois dos bombardeamentos, ao território inimigo, «a fumar cachimbo e com as armas ao ombro», quando depois os alemães saem dos seus abrigos debaixo de terra e atiram para o meio da infantaria como se fossem uma bandada de ratos.
A vida tem sido muito difícil pois as doenças vão aparecendo constantemente, os piolhos e as pulgas são insuportáveis quando nós queremos combater o inimigo e não podemos, pois a maldição dos piolhos e das pulgas não nos deixam fazer nada com a comichão. Os gases tóxicos vão-nos matando constantemente. Gases que corroem os órgãos vitais.
Isto aqui é muito diferente do nosso mundo, da nossa cidade, da nossa aldeia. Isto aqui parece um matadouro pois pelo chão adiante é só corpos de soldados mortos.
Nós viemos para aqui enganados, pois pensámos que isto só ia durar alguns meses, mas estávamos muito errados pois os Alemães vão atacando de surpresa. É muito duro sobreviver nesta agonia pois não sabemos se isto algum dia vai ter fim.
É tempo de Natal, é tempo de paz, mas nós aqui nem se quer se dorme direito o pouco tempo que temos para descansar.
Meus queridos pais, já tenho saudades vossas e dos vossos carinhos e até das comidas da mãe. Esperem com paciência a minha chegada, pois eu vou fazer o mesmo.
Leopold Mitterran.
Lígia Sofia, nº 12 aluna do9ºE




Amigo Helder






Espero que esta carta te vá encontrar de boa saúde, e em boas condições financeiras pois agora já te libertaram da guerra e já tens emprego.
Escrevo-te para te descrever as cenas de horror vividas aqui nas trincheiras e espero que não digas nada aos meus pais pois eles não merecem saber o que se passa por cá. Depois de tantos anos que passei ao lado deles, a ajudá-los nos melhores e piores momentos, não merecem saber isto.
Viver aqui é como viver no inferno, se algum familiar te perguntar por mim (pois tu és o meu melhor amigo) diz-lhe que ainda não morri e que estou bem de saúde.
As trincheiras são «óptimas», porque fomos os primeiros a abri-las e a escolher melhores terrenos, temos caves subterrâneas onde dormimos e onde cozinhamos mas vive-se em más condições. Os ataques são constantes e há quem não resista aos estilhaços e tem que ir para os serviços médicos. É difícil conquistar terreno ao inimigo porque o arame farpado não permite chegarmos à outra frente. Depois vêm as metralhadoras e varrem tudo e todos e são poucos os que chegam com vida ao território inimigo. De tantos mortos existentes no terreno entre trincheiras, os meus colegas deram-lhe o nome de «Terra de Ninguém».
Aqui até as paredes da trincheira têm ouvidos e temos que reparar no que falamos.
Enquanto a artilharia está em actividade a infantaria entrou em repouso mas sempre atenta a qualquer perigo vindo do inimigo. Agora que chegou o gás não se para e não se aguenta com o cheiro que está activo durante semanas e, por vezes horas depois de várias explosões de gás, morremos sufocados.
Como os ataques de infantaria não resultam, chegaram novos materiais de combate como os aviões para espiar as zonas onde o inimigo guarda o seu armamento de guerra, os tanques de guerra e maquinas de artilharia pesada.
Com as doenças vamos ficando fracos e até as pulgas, ratos e outros bichos nos perturbam o sono e nos enfraquecem a moral.
Estamos cansados de tantas cenas horrorosas que provocam doenças físicas e psicológicas.
Despeço-me desejando-te bom Natal para ti e para a família e para todo o pessoal um grande abraça deste vosso
Amigo - Silvério
Silvério Afonso, nº 22, 9ºD






Querida mãe.



Estou a escrever de uma trincheira. Estamos em repouso porque é o grupo de artilharia que está a actuar. Quando acabarem, o grupo de infantaria vai avançar para a terra de ninguém, que é muito difícil de atravessar devido ao arame farpado e às metralhadoras, onde morrem, milhares de soldados.
Aqui nas trincheiras há muita lama devido às grandes chuvadas, através do parapeito que tem uns sacos de areia em cima para nos protegermos dos tiros e estilhaços, vemos como está o ambiente nas trincheiras vizinhas.
Como se não bastassem os problemas que já temos, fomos invadidos por uma praga de piolhos. Por aqui lutamos contra bombas, armas que disparam milhares de balas por minuto chamadas metralhadoras e gases venenosos que matam milhares de pessoas. Há um gás que permanece durante dias no local. Os inimigos quando o lançam vêm o estado do tempo porque o gás pode vir para trás. Inventaram uma espécie de máscaras para o gás feitas de algodão que são embebidas em urina para filtrar melhor.
Despeço-me aqui, muitos beijinhos para todos .volto a escrever quando tiver oportunidade.

ADEUS.
Nuno Ferreira

Nuno Alexandre nª18aluno do 9º D




Querida Mãe estou-lhe a escrever esta carta para lhe dizer que ainda estou vivo.

Eu gostava de estar em casa, mas isto aqui ainda está muito atrasado.
Aqui está a nevar, por isso está muito frio e há muita água e lama nas trincheiras. Na terra de ninguém, que na outra carta lhe descrevi, está tudo cheio de buracos, cadáveres, lama por causa dos ataques que se têm dado.
Colegas meus já morreram por causa do gás lançado pelo inimigo e também por causa dos estilhaços das bombas quando caiem no chão.
A comida é fraca e é quase sempre o mesmo. Eu e o pai ainda temos um bocado de presunto que nos mandou, mas não dá para a semana toda.
O pai está no bunker. Lá é mais quente e não há problema de morrer porque é construido de betão e de chapas de aço. Eu estou na frente das trincheiras pronto para atacar. Já pensei em aleijar-me para ir para casa, mas depois posso ficar aleijado para o resto da vida. É melhor parar quieto.
No outro dia apareceram piolhos. As nossas roupas foram para as caldeira para lavar, mas ainda havia ovos nas roupas que não morreram. Então nós queimamo-los com cigarros.
Ao domingo vamos à missa por turnos para pedir a DEUS que isto acabe rápido, porque nós estamos fartos de andar aqui.
Mãe tenho de acabar porque estou a ser chamado a combater. Para a semana, se tiver vagar, torno-lhe a escrever.
Beijinhos do Eduardo e do Pai.

Eduardo Silva nº5aluno do 9ºD



2 comentários:

JAMES ADLER disse...

imagino como foi a dor dessas as e os horrores que elas precensiaram nesta guerra maldita muito comovente e obrigado pelo post lindo.

JAMES ADLER disse...

imagino como foi a dor dessas as e os horrores que elas precensiaram nesta guerra maldita muito comovente e obrigado pelo post lindo.